Qualidade da luz e perceção · 02

Modelo e realidade: o que o cálculo DIALux não descreve

O DIALux permite comparar soluções e fundamentar um projeto. Contudo, o resultado é uma previsão baseada em pressupostos definidos, não uma garantia de como a instalação será percebida numa noite de chuva. Esses pressupostos devem acompanhar a comparação de resultados e a definição de requisitos.

Publicado em 22 de junho de 2026 · Leitura: cerca de 8 min

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Em síntese

O DIALux evo calcula iluminância e luminância para os dados selecionados. A DIAL descreve o pavimento seco como configuração inicial da ferramenta rodoviária, mas permite alterar material e outros parâmetros. O resultado corresponde à geometria, fotometria, reflexão e fator de manutenção documentados. DIALux evo

Pressupostos do cálculo

EN 13201-3 define os métodos de cálculo da luminância e da iluminância na iluminação rodoviária. DIALux evo e Relux implementam esses métodos. Conhecer os pressupostos documentados é essencial para interpretar os resultados.

Quatro simplificações relevantes no cálculo rodoviário convencional:

Pressupostos do cálculo
Pressuposto Consequência prática
Fonte pontual A fotometria é representada a partir de um ponto de referência no âmbito do modelo; altura de montagem e distribuição são dados essenciais.
Pavimento selecionado Selecione os dados de reflexão para o cenário; chuva, sujidade e envelhecimento não são acrescentados automaticamente.
Observador definido As posições prescritas do observador dão resultados de luminância comparáveis, não uma simulação do movimento de cada utilizador. O cálculo das classes M usa olhos a 1,5 m de altura e 60 m até ao campo de cálculo; a via de trânsito e a grandeza determinam as posições avaliadas.
Âmbito do cálculo rodoviário Um campo rodoviário normalizado não é um modelo completo de fachadas, veículos e reflexões secundárias. É um limite do cenário, não de todas as funções do DIALux.

São simplificações que tornam o cálculo repetível e comparável. O problema surge quando os resultados são apresentados sem explicitar que as condições reais podem ser diferentes.

A água altera a reflexão do pavimento

Mesmo o asfalto seco tem reflexão difusa e direcional. As tabelas R descrevem a variação com as direções de incidência e observação; não representam uma folha de papel mate que difunde uniformemente.

Uma película de água pode acentuar a reflexão especular. Em vez de distribuir a luz de forma semelhante à superfície seca, o pavimento pode produzir faixas luminosas e zonas escuras:

  • A luz concentra-se em faixas, com luminância elevada em certas direções e zonas escuras entre elas.
  • A uniformidade pode piorar; a alteração depende da geometria e dos dados de reflexão do piso molhado.
  • O contraste do objeto pode mudar com a distribuição de luminância do fundo.
  • Reflexos intensos podem criar dificuldades visuais adicionais. Não devem ser descritos como um TI percecionado separado; fTI é uma grandeza de cálculo definida.

Tabelas R: utilização e limites

R1–R4 são referências normalizadas para pavimentos secos. Q₀ é o coeficiente médio de luminância (sr⁻¹), e S₁ é um fator adimensional de especularidade; S₁ não é uma relação simples entre energia especular e difusa total. A classe e a normalização devem basear-se em dados documentados ou prescritos. Aspeto, cor e textura não bastam para classificar com segurança. CIE 2019

A análise de pavimento molhado exige dados de reflexão adequados e um método que os suporte. Escolher a classe seca R3 ou R4 não modela água na via. Documente a versão do programa, a tabela e o requisito aplicável; distinga Uo,w e requisitos nacionais dos resultados para piso seco. CIE 066-1984

CIE TC 4-50 — Q₀, S₁, r.

Condições que exigem análise adicional

Um cenário de cálculo precisa de casos complementares para avaliar outras condições:

  • Neve e gelo. Alteram fortemente a reflexão, dependendo da espessura, da textura e do estado da superfície.
  • Sujidade e envelhecimento do pavimento. O asfalto muda ao longo do tempo. Uma tabela fixa não representa automaticamente essas alterações.
  • Documente o fator de manutenção para o período escolhido, depreciação do fluxo, sujidade, limpeza e estratégia de substituição. ISO/CIE TS 22012:2019 fornece um método de trabalho. Não existe LMF ou MF genérico para todo o litoral, e um fator escalar não reproduz todas as alterações da distribuição luminosa. ISO/CIE TS 22012:2019
  • As posições prescritas do observador dão resultados de luminância comparáveis, não uma simulação do movimento de cada utilizador. O cálculo das classes M usa olhos a 1,5 m de altura e 60 m até ao campo de cálculo; a via de trânsito e a grandeza determinam as posições avaliadas.
  • Compare valores fotópicos de luminância e lux com os requisitos correspondentes. A análise mesópica pode complementar tarefas específicas e exige espectro e adaptação; não demonstra que o cálculo fotópico subavalia genericamente uma luminária.

Iluminância e luminância são grandezas diferentes

Lux é fluxo luminoso por área (lm/m²), com ponderação fotópica. Luminância (cd/m²) descreve luz numa direção de observação. No pavimento, a relação depende dos ângulos de incidência e dos dados de reflexão; lux não é energia por área.

A classe M exige todos os critérios aplicáveis, incluindo luminância média, uniformidade e encandeamento. A mesma iluminância média não garante a mesma luminância nem o cumprimento da classe.

Por isso, comparar potência e lux sem dados fotométricos e sem caracterizar o pavimento é insuficiente. A eficácia luminosa, em lm/W, descreve a conversão em fluxo luminoso, não o resultado visual completo da instalação.

Implicações para a aquisição

A comparação exige a mesma geometria, dados de reflexão, posições de observação, método de manutenção e requisitos aplicáveis. Use o ficheiro fotométrico e os dados de manutenção documentados de cada luminária. R2 é um cenário possível, não uma garantia de dados comparáveis.

Mas um cálculo para pavimento seco não responde, por si só, à pergunta: «Qual será o desempenho de cada solução com o pavimento molhado?»

Complete o cálculo com os dados fotométricos, a caracterização do pavimento e, quando o projeto o justificar, uma análise específica em condições molhadas. Os limites devem ficar explícitos.

O papel da ótica no pavimento molhado

A ótica afeta a distribuição luminosa, mas um feixe amplo ou a designação ME não demonstra, por si só, melhor desempenho em piso molhado. Compare a fotometria com a mesma geometria e dados de reflexão adequados e verifique o requisito de uniformidade.

Mais fluxo luminoso não melhora automaticamente a uniformidade da luminância. Avalie em conjunto ótica, implantação e reflexão do pavimento. guia técnico de ótica.

Como melhorar a base de decisão

O cálculo normalizado é um ponto de partida. Para o tornar mais representativo:

  • R1–R4 são referências normalizadas para pavimentos secos. Q₀ é o coeficiente médio de luminância (sr⁻¹), e S₁ é um fator adimensional de especularidade; S₁ não é uma relação simples entre energia especular e difusa total. A classe e a normalização devem basear-se em dados documentados ou prescritos. Aspeto, cor e textura não bastam para classificar com segurança.
  • Documente o fator de manutenção para o período escolhido, depreciação do fluxo, sujidade, limpeza e estratégia de substituição. ISO/CIE TS 22012:2019 fornece um método de trabalho. Não existe LMF ou MF genérico para todo o litoral, e um fator escalar não reproduz todas as alterações da distribuição luminosa.
  • Peça os dados fotométricos. A distribuição luminosa, o ficheiro IES e os resultados de luminância são mais informativos do que a iluminância média isolada.
  • Especifique cenários secos e molhados quando exigidos pelo projeto. Cumprir o cenário seco não demonstra conformidade no molhado.

Os limites do modelo também contam

A fotometria normalizada não descreve todos os aspetos da visão noturna

Compare valores fotópicos de luminância e lux com os requisitos correspondentes. A análise mesópica pode complementar tarefas específicas e exige espectro e adaptação; não demonstra que o cálculo fotópico subavalia genericamente uma luminária.

Qualidade da luz e perceção · 01

Fotometria mesópica: como vemos à noite

Relação S/P, efeito de Purkinje e limites dos valores em lux.

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Perguntas frequentes

É possível calcular o desempenho em pavimento molhado?

A análise de pavimento molhado exige dados de reflexão adequados e um método que os suporte. Escolher a classe seca R3 ou R4 não modela água na via. Documente a versão do programa, a tabela e o requisito aplicável; distinga Uo,w e requisitos nacionais dos resultados para piso seco. DIALux evo

Que tabela de reflexão deve usar-se?

R1–R4 são referências normalizadas para pavimentos secos. Q₀ é o coeficiente médio de luminância (sr⁻¹), e S₁ é um fator adimensional de especularidade; S₁ não é uma relação simples entre energia especular e difusa total. A classe e a normalização devem basear-se em dados documentados ou prescritos. Aspeto, cor e textura não bastam para classificar com segurança.

Os resultados devem apresentar o fator de manutenção?

Documente o fator de manutenção para o período escolhido, depreciação do fluxo, sujidade, limpeza e estratégia de substituição. ISO/CIE TS 22012:2019 fornece um método de trabalho. Não existe LMF ou MF genérico para todo o litoral, e um fator escalar não reproduz todas as alterações da distribuição luminosa. ISO/CIE TS 22012:2019

Porque pode a instalação parecer diferente do cálculo?

O DIALux evo calcula iluminância e luminância para os dados selecionados. A DIAL descreve o pavimento seco como configuração inicial da ferramenta rodoviária, mas permite alterar material e outros parâmetros. O resultado corresponde à geometria, fotometria, reflexão e fator de manutenção documentados.

VALDUR: dados para avaliar o projeto

Fornecemos ficheiros IES, características das óticas e documentação da VALDUR. Os cálculos habituais usam R2; a pedido, podemos avaliar outras tabelas de reflexão e documentar o fator de manutenção para as condições e intervalos de manutenção do projeto.

Síntese

O DIALux evo calcula iluminância e luminância para os dados selecionados. A DIAL descreve o pavimento seco como configuração inicial da ferramenta rodoviária, mas permite alterar material e outros parâmetros. O resultado corresponde à geometria, fotometria, reflexão e fator de manutenção documentados.

A análise de pavimento molhado exige dados de reflexão adequados e um método que os suporte. Escolher a classe seca R3 ou R4 não modela água na via. Documente a versão do programa, a tabela e o requisito aplicável; distinga Uo,w e requisitos nacionais dos resultados para piso seco.

A qualidade do projeto melhora quando o cálculo é acompanhado por dados de reflexão adequados, um fator de manutenção fundamentado, ficheiros fotométricos e uma descrição clara dos limites do cenário.

Fontes

  1. DIAL — Street Lighting with DIALux evo
  2. CIE 066-1984 — Road surfaces and lighting (joint technical report CIE/PIARC)
  3. CIE — TC 4-50 collection call for r-tables data
  4. Saint-Jacques et al., CIE 2019 — Evaluation of the performance of a road surface gonioreflectometer
  5. ISO/CIE TS 22012:2019 — Light and lighting — Maintenance factor determination — Way of working
  6. Trafikverket — Vägbelysningshandbok 2024
Ótica e cálculos da VALDUR: Guia técnico: ótica · Ficha de produto

Dados fotométricos, reflexão do pavimento e fator de manutenção

Precisa de compreender os limites do cálculo?

Fornecemos cálculos com pressupostos documentados e explicamos o que os resultados permitem concluir.