- CEN/TR 13201-1:2014 orienta a escolha da classe de iluminação. EN 13201-2 a -5:2015 tratam dos requisitos de desempenho, cálculo, medição e desempenho energético.
- As classes M aplicam-se a zonas de tráfego motorizado e baseiam-se principalmente na luminância do pavimento. A edição de 2003 usava as designações ME/MEW, mas os seus requisitos não têm uma correspondência direta com as atuais classes M.
- As classes C aplicam-se a zonas de conflito. As classes P aplicam-se a peões, ciclistas e zonas de baixa velocidade. Na edição de 2003, as famílias correspondentes às atuais C e P eram designadas CE e S, respetivamente.
- Indicar apenas «150 lux» num caderno de encargos não define uma classe de iluminação. Ficam por especificar aspetos como a uniformidade, o encandeamento perturbador e as propriedades de reflexão do pavimento. Identifique a classe M, C ou P adequada ao projeto.
As cinco partes da série
A série inclui o relatório técnico CEN/TR 13201-1:2014 e as normas EN 13201-2 a -5:2015. A Parte 1 orienta a escolha da classe; a Parte 2 define os requisitos; a Parte 3 estabelece os cálculos; a Parte 4 trata das medições; e a Parte 5, da avaliação energética. Trafikverket — Vägbelysningshandbok 2024
| Parte | Título abreviado | Conteúdo |
|---|---|---|
| Parte 1 | Orientações para a seleção das classes de iluminação | CEN/TR 13201-1:2014 é um relatório técnico que explica como considerar o tipo de via, o tráfego, os utilizadores e o ambiente na escolha das classes definidas em EN 13201-2. |
| Parte 2 | Requisitos de desempenho | Classes M, C e P e respetivos requisitos quantitativos, incluindo Lm, Uo, Ul, fTI e REI. É esta a parte que fundamenta os requisitos de desempenho do caderno de encargos. |
| Parte 3 | Métodos de cálculo | Define o cálculo da luminância e da iluminância através de uma malha de pontos. Constitui a base dos cálculos em DIALux, DIALux evo e Relux. |
| Parte 4 | Métodos de medição | Medições em instalações concluídas: pontos de medição, horas de funcionamento e condições meteorológicas. |
| Parte 5 | Indicadores de desempenho energético | O PDI, DP, relaciona a potência do sistema com a área iluminada e a iluminância média mantida. O AECI, DE, relaciona o consumo anual de energia com a área iluminada. Os dois indicadores devem ser usados em conjunto. |
Classes M: faixas de rodagem e luminância
As classes M aplicam-se a zonas de tráfego motorizado e utilizam a luminância como critério principal, em vez da iluminância em lux. EN 13201-2:2003 utilizava as designações ME e MEW. Como os requisitos e o critério relativo à zona envolvente mudaram entre edições, M3, por exemplo, não deve ser equiparada diretamente a ME3a ou ME3b.
As classes M abrangem faixas de rodagem onde os veículos circulam a velocidades relativamente elevadas. Um modelo DIALux completo para uma classe M exige:
- A tabela r/R especificada ou verificada para o pavimento do projeto
- No cálculo da luminância das classes M, o olho do observador é colocado a 1,5 m acima da via e a 60 m do início do campo de cálculo. O cálculo de fTI segue o procedimento específico para o observador definido em EN 13201-3.
- Uma malha de pontos de cálculo conforme a Parte 3
A tabela resume os requisitos para pavimento seco e o critério relativo à zona envolvente para M1–M6, segundo a Parte 2. Não reproduz todos os requisitos da norma:
| Classe | Lm (cd/m²) | Uo (≥) | Ul (≥) | fTI (≤%) | REI (≥) |
|---|---|---|---|---|---|
| M1 | 2,0 | 0,40 | 0,70 | 10 | 0,35 |
| M2 | 1,5 | 0,40 | 0,70 | 10 | 0,35 |
| M3 | 1,0 | 0,40 | 0,60 | 15 | 0,30 |
| M4 | 0,75 | 0,40 | 0,60 | 15 | 0,30 |
| M5 | 0,50 | 0,35 | 0,40 | 15 | 0,30 |
| M6 | 0,30 | 0,35 | 0,40 | 20 | 0,30 |
Lm = luminância média mantida. Uo = uniformidade global (mínimo/média). Ul = uniformidade longitudinal (mínimo/máximo ao longo da via de trânsito). fTI = incremento de limiar, relativo ao encandeamento perturbador. EIR é a abreviatura de Edge Illuminance Ratio, relação de iluminância nas margens da faixa de rodagem, e REI é o respetivo símbolo. Compara a iluminância horizontal média numa faixa imediatamente exterior à faixa de rodagem com a de uma faixa equivalente no interior. Ambas têm a largura de uma via de trânsito, e cada lado é avaliado separadamente. Aplica-se quando as zonas de circulação adjacentes não têm requisitos próprios de iluminação. Os valores 0,35 e 0,30 são mínimos provisórios da norma, sujeitos aos requisitos nacionais ou específicos do projeto.
EN 13201-2:2015 inclui também o critério para pavimento molhado Uo,w = 0,15 para M1–M6, quando aplicável segundo os requisitos nacionais. EN 13201-2
Como interpretar os parâmetros
Classes P e C
As classes P (P1–P6) aplicam-se a peões, ciclistas e zonas de baixa velocidade, como percursos pedonais, ciclovias, ruas residenciais e parques de estacionamento. Utiliza-se a iluminância horizontal em lux. EN 13201-2:2003 utilizava a designação S para o tipo de zonas correspondente.
| Classe | Em (lux, ≥) | Emin (lux, ≥) |
|---|---|---|
| P1 | 15 | 3 |
| P2 | 10 | 2 |
| P3 | 7,5 | 1,5 |
| P4 | 5 | 1 |
| P5 | 3 | 0,6 |
| P6 | 2 | 0,40 |
Em = iluminância horizontal média mantida; Emin = iluminância horizontal mínima mantida. Segundo EN 13201-2:2015, tabela 3.
As classes C (C0–C5) aplicam-se a zonas de conflito: cruzamentos, rotundas, passagens para peões e outras áreas onde os fluxos de tráfego se cruzam ou sobrepõem. Utilizam a iluminância horizontal. EN 13201-2:2003 usava a designação CE para estas zonas.
Fator de manutenção: uma variável decisiva no cálculo
O fator de manutenção (MF) converte o desempenho fotométrico inicial calculado em desempenho mantido no momento escolhido. Deve ser definido para cada projeto, com um método documentado, como o descrito em ISO/CIE TS 22012:2019. ISO/CIE TS 22012:2019
- O cálculo deve incluir dados documentados de manutenção do fluxo luminoso do módulo LED escolhido, no respetivo ponto de funcionamento.
- A perda de desempenho por sujidade deve ser avaliada em função do ambiente e do intervalo de limpeza.
- A estratégia de resposta a avarias, substituição e manutenção planeada deve estar documentada.
- As propriedades de reflexão do pavimento são consideradas através da tabela r/R escolhida, não através de um fator adicional arbitrário no MF.
Não existe uma percentagem ou um MF universalmente correto. Depois de aplicado o MF específico do projeto, a luminância ou a iluminância inicial calculada deve cumprir o requisito mantido da classe. A documentação deve apresentar o método e os pressupostos. Saiba mais sobre a diferença entre desempenho calculado e real em O que o DIALux não calcula.
Como escolher a classe adequada?
CEN/TR 13201-1:2014 fornece um método de partida. A classe final exige uma avaliação do projeto: o tipo de via, por si só, não determina uma classe M, C ou P. Devem ser considerados, entre outros fatores:
- Tráfego — velocidade, volume e composição.
- Utilizadores e áreas de circulação — grupos de utilizadores, zonas de circulação e requisitos próprios das áreas adjacentes, ou a sua avaliação através de REI.
- Geometria e complexidade visual — pontos de conflito, necessidades de orientação e traçado da via.
- Condições locais — iluminação envolvente, condições meteorológicas e grupos de utilizadores específicos.
Nos projetos suecos, verifique a VGU em vigor e os requisitos definidos pela entidade gestora. A classe e a iluminação acima do mínimo permitida devem constar da documentação; uma classe superior exige justificação do projeto. Este enquadramento sueco não estabelece requisitos portugueses.
Desempenho energético: Parte 5, PDI DP e AECI DE
EN 13201-5:2015 define dois indicadores complementares. PDI, representado por DP e expresso em W/(lx·m²), relaciona a potência do sistema com a área iluminada e a iluminância média mantida. AECI, representado por DE, relaciona o consumo total de energia num ano especificado com a área iluminada e é expresso em Wh/m². Pode apresentar-se numa escala equivalente em kWh/(m²·ano). DE é o símbolo do AECI, não um indicador separado.
PDI e AECI devem ser usados em conjunto. Uma comparação energética direta só é significativa entre alternativas para o mesmo projeto, com geometria e requisitos de iluminação equivalentes. A mesma extensão de via não é suficiente. O caderno de encargos deve explicitar os pressupostos de cálculo, os perfis de funcionamento e a área iluminada.
Porque não basta indicar lux no caderno de encargos?
«Mínimo de 15 lux na faixa de rodagem» é uma exigência simples de escrever, mas não define a uniformidade, o encandeamento perturbador fTI, a relação de iluminância nas margens REI ou a relação com as propriedades de reflexão do pavimento. Uma instalação pode atingir 15 lux de média e apresentar grande falta de uniformidade, sem cumprir Uo e Ul da classe M. Para uma faixa de rodagem, especifique a classe M e a tabela R. Para percursos pedonais e cicláveis, a classe P com Em e Emin.
Cinco pontos a incluir na aquisição
- Especifique a classe M, além dos valores em lux. Para faixas de rodagem, indique a classe, o intervalo de manutenção e a tabela r/R ou N especificada ou verificada para o pavimento. Assim será possível verificar o MF calculado e o cumprimento da classe.
- Peça o ficheiro de cálculo DIALux ou Relux. Sem o ficheiro completo, com a posição correta do observador, a tabela R e o MF, é difícil verificar o cumprimento dos valores da classe.
- Especifique REI quando o critério for aplicável. Se as áreas de circulação adjacentes não tiverem requisitos próprios, deve indicar-se a relação REI . Caso contrário, as zonas pedonais e cicláveis adjacentes devem ter os requisitos P ou C adequados.
- Defina as medições em obra. Estabeleça contratualmente o momento, as condições de medição, as responsabilidades e o tratamento de desvios. EN 13201-4 não fixa um prazo geral de doze meses.
- Peça os indicadores PDI DP e AECI DE. Exija os dois indicadores da Parte 5 em conjunto, para as alternativas do mesmo projeto, com geometria, requisitos de iluminação e condições de funcionamento comuns.
VALDUR: nota técnica
Para avaliar uma configuração VALDUR face a uma classe de iluminação, é necessário um cálculo específico para a geometria da via, o espaçamento entre colunas, os dados de reflexão, o fator de manutenção e dados fotométricos verificados. Os cálculos de componentes publicados não demonstram, por si só, o cumprimento das classes M3 ou M4. A configuração de driver escolhida pode fornecer consumos pela Parte 252 e dados de diagnóstico e manutenção pela Parte 253. CLO está incluído de série em todas as luminárias VALDUR. Saiba mais sobre os pressupostos de cálculo: O que o DIALux não calcula.
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