Normas e aquisição

EN 13201: requisitos e escolha da classe de iluminação

Este artigo baseia-se em CEN/TR 13201-1:2014 e EN 13201-2 a -5:2015. Estes documentos abordam a escolha das classes de iluminação, os requisitos de desempenho, os métodos de cálculo e medição e a avaliação energética. Explicamos as classes M, C e P e o que deve constar de um caderno de encargos para além de um valor em lux.

Publicado em 22 de junho de 2026 · Leitura: cerca de 10 min

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Em síntese
  • CEN/TR 13201-1:2014 orienta a escolha da classe de iluminação. EN 13201-2 a -5:2015 tratam dos requisitos de desempenho, cálculo, medição e desempenho energético.
  • As classes M aplicam-se a zonas de tráfego motorizado e baseiam-se principalmente na luminância do pavimento. A edição de 2003 usava as designações ME/MEW, mas os seus requisitos não têm uma correspondência direta com as atuais classes M.
  • As classes C aplicam-se a zonas de conflito. As classes P aplicam-se a peões, ciclistas e zonas de baixa velocidade. Na edição de 2003, as famílias correspondentes às atuais C e P eram designadas CE e S, respetivamente.
  • Indicar apenas «150 lux» num caderno de encargos não define uma classe de iluminação. Ficam por especificar aspetos como a uniformidade, o encandeamento perturbador e as propriedades de reflexão do pavimento. Identifique a classe M, C ou P adequada ao projeto.

As cinco partes da série

A série inclui o relatório técnico CEN/TR 13201-1:2014 e as normas EN 13201-2 a -5:2015. A Parte 1 orienta a escolha da classe; a Parte 2 define os requisitos; a Parte 3 estabelece os cálculos; a Parte 4 trata das medições; e a Parte 5, da avaliação energética. Trafikverket — Vägbelysningshandbok 2024

As cinco partes da série
Parte Título abreviado Conteúdo
Parte 1Orientações para a seleção das classes de iluminaçãoCEN/TR 13201-1:2014 é um relatório técnico que explica como considerar o tipo de via, o tráfego, os utilizadores e o ambiente na escolha das classes definidas em EN 13201-2.
Parte 2Requisitos de desempenhoClasses M, C e P e respetivos requisitos quantitativos, incluindo Lm, Uo, Ul, fTI e REI. É esta a parte que fundamenta os requisitos de desempenho do caderno de encargos.
Parte 3Métodos de cálculoDefine o cálculo da luminância e da iluminância através de uma malha de pontos. Constitui a base dos cálculos em DIALux, DIALux evo e Relux.
Parte 4Métodos de mediçãoMedições em instalações concluídas: pontos de medição, horas de funcionamento e condições meteorológicas.
Parte 5Indicadores de desempenho energéticoO PDI, DP, relaciona a potência do sistema com a área iluminada e a iluminância média mantida. O AECI, DE, relaciona o consumo anual de energia com a área iluminada. Os dois indicadores devem ser usados em conjunto.

Classes M: faixas de rodagem e luminância

As classes M aplicam-se a zonas de tráfego motorizado e utilizam a luminância como critério principal, em vez da iluminância em lux. EN 13201-2:2003 utilizava as designações ME e MEW. Como os requisitos e o critério relativo à zona envolvente mudaram entre edições, M3, por exemplo, não deve ser equiparada diretamente a ME3a ou ME3b.

As classes M abrangem faixas de rodagem onde os veículos circulam a velocidades relativamente elevadas. Um modelo DIALux completo para uma classe M exige:

  • A tabela r/R especificada ou verificada para o pavimento do projeto
  • No cálculo da luminância das classes M, o olho do observador é colocado a 1,5 m acima da via e a 60 m do início do campo de cálculo. O cálculo de fTI segue o procedimento específico para o observador definido em EN 13201-3.
  • Uma malha de pontos de cálculo conforme a Parte 3

A tabela resume os requisitos para pavimento seco e o critério relativo à zona envolvente para M1–M6, segundo a Parte 2. Não reproduz todos os requisitos da norma:

Classes M: faixas de rodagem e luminância
Classe Lm (cd/m²) Uo (≥) Ul (≥) fTI (≤%) REI (≥)
M12,00,400,70100,35
M21,50,400,70100,35
M31,00,400,60150,30
M40,750,400,60150,30
M50,500,350,40150,30
M60,300,350,40200,30

Lm = luminância média mantida. Uo = uniformidade global (mínimo/média). Ul = uniformidade longitudinal (mínimo/máximo ao longo da via de trânsito). fTI = incremento de limiar, relativo ao encandeamento perturbador. EIR é a abreviatura de Edge Illuminance Ratio, relação de iluminância nas margens da faixa de rodagem, e REI é o respetivo símbolo. Compara a iluminância horizontal média numa faixa imediatamente exterior à faixa de rodagem com a de uma faixa equivalente no interior. Ambas têm a largura de uma via de trânsito, e cada lado é avaliado separadamente. Aplica-se quando as zonas de circulação adjacentes não têm requisitos próprios de iluminação. Os valores 0,35 e 0,30 são mínimos provisórios da norma, sujeitos aos requisitos nacionais ou específicos do projeto.

EN 13201-2:2015 inclui também o critério para pavimento molhado Uo,w = 0,15 para M1–M6, quando aplicável segundo os requisitos nacionais. EN 13201-2

Como interpretar os parâmetros

Lm
Luminância média mantida (cd/m²). Média aritmética dos valores de luminância nos pontos de cálculo, no final do intervalo de manutenção, após aplicação do fator de manutenção (MF). Este valor deve cumprir o mínimo da classe.
Uo
Uniformidade global = Lmin / Lm. Indica a uniformidade da luminância na faixa de rodagem. Um valor de 0,40 significa que nenhum ponto pode ter luminância inferior a 40% da média.
Ul
Uniformidade longitudinal = Lmin / Lmax ao longo do eixo da via de trânsito. Ajuda a avaliar a continuidade visual: a alternância de zonas claras e escuras pode causar desconforto a velocidades mais elevadas.
fTI
Incremento de limiar (Threshold Increment). Medida do encandeamento perturbador (disability glare) provocado pelas luminárias. Exprime o aumento percentual do contraste de luminância necessário para distinguir um obstáculo. Um valor de fTI mais baixo é preferível.
REI
Relação de iluminância nas margens (Edge Illuminance Ratio). Quociente entre a iluminância horizontal média numa faixa imediatamente exterior à faixa de rodagem e a de uma faixa equivalente no interior. As faixas têm a largura de uma via de trânsito e cada lado é avaliado separadamente. O critério aplica-se quando as zonas de circulação adjacentes não têm requisitos próprios de iluminação.

Classes P e C

As classes P (P1–P6) aplicam-se a peões, ciclistas e zonas de baixa velocidade, como percursos pedonais, ciclovias, ruas residenciais e parques de estacionamento. Utiliza-se a iluminância horizontal em lux. EN 13201-2:2003 utilizava a designação S para o tipo de zonas correspondente.

Classes P e C
Classe Em (lux, ≥) Emin (lux, ≥)
P1153
P2102
P37,51,5
P451
P530,6
P620,40

Em = iluminância horizontal média mantida; Emin = iluminância horizontal mínima mantida. Segundo EN 13201-2:2015, tabela 3.

As classes C (C0–C5) aplicam-se a zonas de conflito: cruzamentos, rotundas, passagens para peões e outras áreas onde os fluxos de tráfego se cruzam ou sobrepõem. Utilizam a iluminância horizontal. EN 13201-2:2003 usava a designação CE para estas zonas.

Fator de manutenção: uma variável decisiva no cálculo

O fator de manutenção (MF) converte o desempenho fotométrico inicial calculado em desempenho mantido no momento escolhido. Deve ser definido para cada projeto, com um método documentado, como o descrito em ISO/CIE TS 22012:2019. ISO/CIE TS 22012:2019

  • O cálculo deve incluir dados documentados de manutenção do fluxo luminoso do módulo LED escolhido, no respetivo ponto de funcionamento.
  • A perda de desempenho por sujidade deve ser avaliada em função do ambiente e do intervalo de limpeza.
  • A estratégia de resposta a avarias, substituição e manutenção planeada deve estar documentada.
  • As propriedades de reflexão do pavimento são consideradas através da tabela r/R escolhida, não através de um fator adicional arbitrário no MF.

Não existe uma percentagem ou um MF universalmente correto. Depois de aplicado o MF específico do projeto, a luminância ou a iluminância inicial calculada deve cumprir o requisito mantido da classe. A documentação deve apresentar o método e os pressupostos. Saiba mais sobre a diferença entre desempenho calculado e real em O que o DIALux não calcula.

Como escolher a classe adequada?

CEN/TR 13201-1:2014 fornece um método de partida. A classe final exige uma avaliação do projeto: o tipo de via, por si só, não determina uma classe M, C ou P. Devem ser considerados, entre outros fatores:

  • Tráfego — velocidade, volume e composição.
  • Utilizadores e áreas de circulação — grupos de utilizadores, zonas de circulação e requisitos próprios das áreas adjacentes, ou a sua avaliação através de REI.
  • Geometria e complexidade visual — pontos de conflito, necessidades de orientação e traçado da via.
  • Condições locais — iluminação envolvente, condições meteorológicas e grupos de utilizadores específicos.

Nos projetos suecos, verifique a VGU em vigor e os requisitos definidos pela entidade gestora. A classe e a iluminação acima do mínimo permitida devem constar da documentação; uma classe superior exige justificação do projeto. Este enquadramento sueco não estabelece requisitos portugueses.

Desempenho energético: Parte 5, PDI DP e AECI DE

EN 13201-5:2015 define dois indicadores complementares. PDI, representado por DP e expresso em W/(lx·m²), relaciona a potência do sistema com a área iluminada e a iluminância média mantida. AECI, representado por DE, relaciona o consumo total de energia num ano especificado com a área iluminada e é expresso em Wh/m². Pode apresentar-se numa escala equivalente em kWh/(m²·ano). DE é o símbolo do AECI, não um indicador separado.

PDI e AECI devem ser usados em conjunto. Uma comparação energética direta só é significativa entre alternativas para o mesmo projeto, com geometria e requisitos de iluminação equivalentes. A mesma extensão de via não é suficiente. O caderno de encargos deve explicitar os pressupostos de cálculo, os perfis de funcionamento e a área iluminada.

Porque não basta indicar lux no caderno de encargos?

«Mínimo de 15 lux na faixa de rodagem» é uma exigência simples de escrever, mas não define a uniformidade, o encandeamento perturbador fTI, a relação de iluminância nas margens REI ou a relação com as propriedades de reflexão do pavimento. Uma instalação pode atingir 15 lux de média e apresentar grande falta de uniformidade, sem cumprir Uo e Ul da classe M. Para uma faixa de rodagem, especifique a classe M e a tabela R. Para percursos pedonais e cicláveis, a classe P com Em e Emin.

Cinco pontos a incluir na aquisição

  1. Especifique a classe M, além dos valores em lux. Para faixas de rodagem, indique a classe, o intervalo de manutenção e a tabela r/R ou N especificada ou verificada para o pavimento. Assim será possível verificar o MF calculado e o cumprimento da classe.
  2. Peça o ficheiro de cálculo DIALux ou Relux. Sem o ficheiro completo, com a posição correta do observador, a tabela R e o MF, é difícil verificar o cumprimento dos valores da classe.
  3. Especifique REI quando o critério for aplicável. Se as áreas de circulação adjacentes não tiverem requisitos próprios, deve indicar-se a relação REI . Caso contrário, as zonas pedonais e cicláveis adjacentes devem ter os requisitos P ou C adequados.
  4. Defina as medições em obra. Estabeleça contratualmente o momento, as condições de medição, as responsabilidades e o tratamento de desvios. EN 13201-4 não fixa um prazo geral de doze meses.
  5. Peça os indicadores PDI DP e AECI DE. Exija os dois indicadores da Parte 5 em conjunto, para as alternativas do mesmo projeto, com geometria, requisitos de iluminação e condições de funcionamento comuns.

VALDUR: nota técnica

Para avaliar uma configuração VALDUR face a uma classe de iluminação, é necessário um cálculo específico para a geometria da via, o espaçamento entre colunas, os dados de reflexão, o fator de manutenção e dados fotométricos verificados. Os cálculos de componentes publicados não demonstram, por si só, o cumprimento das classes M3 ou M4. A configuração de driver escolhida pode fornecer consumos pela Parte 252 e dados de diagnóstico e manutenção pela Parte 253. CLO está incluído de série em todas as luminárias VALDUR. Saiba mais sobre os pressupostos de cálculo: O que o DIALux não calcula.

Fontes

  1. SIS — SS-EN 13201-2:2016 / EN 13201-2:2015, Road lighting — Performance requirements
  2. Trafikverket — Vägbelysningshandbok 2024
  3. ISO/CIE TS 22012:2019 — Light and lighting — Maintenance factor determination — Way of working
  4. DIAL — Street Lighting with DIALux evo

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